População de cidade no interior de São Paulo triplica durante o carnaval


Considerado um dos carnavais mais tradicionais do interior de SP, Cerquilho (SP) cidade com 44 mil habitantes, recebeu durante os cinco dias de folia, em 2024, mais de cem mil visitantes. Pais participam dos bloquinhos ao lado dos filhos em Cerquilho
Arquivo pessoal/Fábio Dal Poz
Cerquilho, cidade do interior de São Paulo com pouco mais de 44 mil habitantes, abriga um dos carnavais mais tradicionais da região de Itapetininga. Durante os dias de folia, a população local triplica. Em 2024, segundo a prefeitura, mais de 100 mil pessoas passaram pela cidade, atraídas pela festa, pela animação e pelos icônicos carrões, que encantam foliões e curiosos.
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🍉 Melancias
O grupo Melancias, fundado em 2006, mantém vivo o legado do desfile dos carrões, uma tradição que iniciou no fim da década de 1970 e que continua atraindo amigos e familiares para a avenida cerquilhense.. Roberlei Fernandes, um dos fundadores do grupo relembra como a história começou.
”Quando eu comecei tinha uns 17 anos, compramos o carrão e saímos todo ano desde então. Para nós é uma alegria, é bom, só os amigos, não tem briga, não tem bagunça”, conta Roberlei.
Roberlei Fernandes e Roberto de Souza, fundadores do grupo carnavalesco “Melancias”, fundado em 2006
Reprodução/TV TEM
O charme da festa, segundo os organizadores, é a criatividade de cada carro na disputa. Ao todo, 21 carrões disputarão o título de 2025. “Os cinco melhores são eleitos pelos jurados, que avaliam alegoria, originalidade”, afirma Emerson Abud, presidente da Aliccer.
Emerson também faz parte do grupo tradicional “Os 100 Noção”, que está em busca de receber o título de campeão. “No ano passado a gente conquistou o terceiro lugar. Este ano, a nossa expectativa é bem grande em relação ao desfile e a turma que vai sair no carrão é bem animada”, conta.
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🎊 Carnaval de rua é o charme
Presença garantida em outros carnavais, Fábio Dal Poz, 50 anos, é um dos fundadores da Bateria Explosão e do Bloco da Rua de Baixo, ambos tradicionais em Cerquilho. Neste ano, ele participa da folia ao lado dos filhos, Larissa, 20 anos, e Arthur, 12 anos.
“Também sou fundador de um carrão em 1995 que atualmente não desfila mais, ‘Os 100 Verbas’. Na época, eu não tinha minha primeira filha ainda. Acho que todos os fundadores, casaram, começaram a nascer os filhos, mudou a prioridade, mudou tudo. E nós fomos parando esse lado”, relembra.
Fábio Dal Poz foi um dos fundadores de um carrão em 1995 que já não desfila mais chamado de “Os 100 Verbas”
Arquivo pessoal/Fábio Dal Poz
Mas isso não impediu Fábio e sua família de seguirem no ritmo da festa. “Eu sempre gostei de música, carnaval, samba, e ainda mais nessa época, eu sempre gostei muito de reunir os amigos, fantasiar”.
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‘Ó, abre alas, que eu quero passar’
Larissa Dal Poz, filha mais velha do Fábio, lembra como foi crescer nesse universo. ”Sempre adorei o carnaval e tudo isso por que meus pais também sempre gostaram, me levavam em todas as matinês e quando eu cresci passei a ir aos bloquinhos”.
Fábio Dal Poz ao lado dos filhos Larissa e Artur
Arquivo pessoal/Fábio Dal Poz
“A memória que eu mais gosto é de estar na matinê com meu pai e pegar todas as serpentinas e confetes do chão pra me cobrir e virar um “monstro”. Com toda certeza, todas as memórias que tenho das matinês de carnaval que eu ia com minha família são maravilhosas”, afirma Larissa.
Atualmente, ela e o irmão Artur tocam surdo e malacacheta, respectivamente, ao lado do pai, que é ritmista na bateria tradicional de Cerquilho. A família estará presente durante a programação deste ano.
“O carnaval é uma época especial do ano. Todo mundo sai, se fantasia, bagunça e se diverte junto. Me traz muita alegria, é incrível se divertir com as pessoas que a gente ama”, continua Larissa.
‘Allah-la ô, ô-ô-ô’
Já a Raquel Botechia, de 47 anos, conta que entrou no grupo da bateria por causa e incentivo da filha Luisa Botechia, 18 anos. “Ela fez percussão no Projeto Guri em 2017 e de lá foi para um grupo de bateria que havia na cidade, em 2022. Eu a levava para os ensaios, até que pedi se podia tocar algum instrumento e iniciei”.
Raquel Botechia e a filha Luisa nos ensaios para apresentação do carnaval de 2025 em Cerquilho
Arquivo pessoal/Raquel Botechia
O grupo de música que elas participavam terminou, foi então que encontraram a Bateria Explosão e participam desde 2024, a mesma bateria de carnaval que a família do Fábio participa.
“Eu sempre achei incrível quem toca qualquer instrumento! Na infância fiz aula de teclado, mas não me adaptei e, no final de 2023, me encontrei no chocalho. E pode tocar ao lado da Luísa é inexplicável, eu fico muito orgulhosa. Estou sempre procurando ela com o olhar pra admirar, sou apaixonada”, conta.
Já Luísa afirma que antes não participa da folia até entrar na bateria, que começou na área pela influência do pai. “Acho que é mais pela música do que pelo Carnaval em si. Antes de tocar eu não comemorava ou ia para a rua no feriado”.
Luisa Botechia desfilando no aniversário de Cerquilho em 2018 pelo “Bloco do Guri”
Arquivo pessoal/Raquel Botechia
‘Ei, você aí’
“Meu gosto musical foi muito influenciado pelo meu pai e como ele toca violão, acabei me interessando pela música. Não pretendo seguir nessa área, pois tocar músicas de carnaval com a bateria é mais um hobby para mim”, afirma a estudante de produção fonográfica.
Raquel diz que estar no grupo da bateria é algo que faz bem. “Resgatar o Carnaval de Cerquilho é maravilhoso. Famílias inteiras, amigos das antigas, é um ambiente muito gostoso o bloco da Rua de Baixo”.
Segundo Gabriel Morelli, um dos organizadores do Bloco da Rua de Baixo, cerca de 400 foliões participam do carnaval, com aproximadamente 40 músicos na Bateria Explosão, que se apresentam todas as noites de folia.
Além disso, Cerquilho ainda terá matinês e muita música, entre os dias 28 de fevereiro e 4 de março, quando será a apuração dos desfiles e entregados troféus. A programação completa está disponível no site.
Bateria Explosão e bloco da Rua de Baixo se apresentam no carnaval de Cerquilho
Arquivo pessoal/Fábio Dal Poz
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